segunda-feira, 6 de julho de 2009

Patrimônio infestado

Por Flávia Martins y Miguel, jornal "O Tempo"

Segundo pesquisa da Universidade de Viçosa, cupins e carunchos tomaram conta de 100% dos monumentos da cidade de Ouro Preto. Se nada for feito, segundo especialista, acervo pode se perder em 20 anos


As esculturas, igrejas e imagens do barroco mineiro, representado por obras de mestres como Manuel da Costa Ataíde e Antônio Francisco Lisboa, o Aleijadinho, correm o sério risco de, em poucas décadas, ficarem apenas na memória. Ávidos por madeira, cupins e carunchos tomaram conta de 100% das edificações históricas de Ouro Preto.

É o que diz um estudo do chefe do Departamento de Biologia Animal da Universidade de Viçosa (UFV), especialista em manejo de pragas florestais, o professor Norivaldo dos Anjos. Há quase 20 anos, ele estuda igrejas de todo o país e identificou o perigo na totalidade dos monumentos em Ouro Preto.

"Fizemos vários levantamentos em todas as edificações, e todas as amostragens dos monumentos, igrejas e obras apresentavam a existência de insetos xilófagos. Ou seja, cupins e carunchos", concluiu o especialista.

Com a conclusão dos estudos, o prognóstico sobre o futuro dessas riquezas históricas é assustador. De acordo com o professor, a ação desses insetos pode acabar com o acervo em menos de duas décadas. "Eu diria que se nada for feito dentro de 10 ou 20 anos, toda a memória vai virar matéria orgânica. Começa a cair porque, infelizmente, o suporte de madeira, telhados e das imagens vai ficar totalmente fragilizado", explica o especialista, que trabalhou junto com alunos da Fundação de Arte de Ouro Preto.

Os problemas não acometem apenas a cidade, que, em 1980, foi considerada pela Unesco como Patrimônio Histórico e Cultural da Humanidade. O estudo da UFV também encontrou cupins e carunchos nos monumentos de Mariana, São João Del Rei, Tiradentes e Congonhas. "Nas principais cidades históricas a situação é completamente semelhante. E em outras partes do Brasil também, como no Pelourinho, em Salvador. É um problema nacional", afirmou dos Anjos.

A resolução para acabar com as pragas é simples. No entanto, são necessários suporte tecnológico e decisões eficazes por parte das arquidioceses e do poder público. "Tem que ser feito um trabalho globalizado com a participação de todos. E alocar os recursos em lugares que realmente necessitam e são importantes. Não se pode tratar todos os monumentos de uma vez, pingando o dinheiro nas milhares de obras e monumentos que existem em Minas", criticou o especialista.

As infiltrações no solo e o vai-e-vem de veículos pesados que circulam a poucos metros da Igreja Nossa Senhora do Rosário, no distrito de Santa Rita Durão, em Mariana, podem ter contribuído para entortar o monumento histórico do século XVIII. Com um acervo rico em obras de Aleijadinho, púlpitos e pinturas decorativas, o local pede intervenções imediatas.

No mês passado, um grupo formado por bombeiros, Ministério Público Estadual, arquidiocese de Mariana e os Institutos do Patrimônio Histórico e Artístico estadual (Iepha) e federal (Iphan) fizeram uma vistoria na igreja para analisar a necessidade de uma interdição e quais ações serão colocadas em prática.

A chefe do escritório técnico do Iphan em Mariana, Laura Rennó, afirma que foi comprovado um leve declive da edificação. No entanto, medidas devem ser tomadas para criar alternativas para os veículos do entorno da área tombada pelo patrimônio. "Chegamos a comentar a possibilidade de fazer uma alça para retirar os caminhões e ônibus dali. Não é que a igreja vá cair amanhã, mas lá é o caso mais preocupante no momento", afirmou.

Imunização
Etapas. Depois da descupinização que mata, além dos insetos, as larvas e os ovos, é necessário imunizar a madeira. O processo trata quimicamente as peças para evitar novos ataques

Projeto importado da Europa
As igrejas Nossa Senhora do Rosário, em Mariana, Bom Jesus do Matozinhos, em Piranga, Nossa Senhora da Lapa, em Sabará, e a capela de Santana, em Lagoa Santa, são as quatro primeiras a serem contempladas em Minas com o projeto Igreja Segura. Trata-se de uma iniciativa inédita no país, trazida de Portugal, que pretende restaurar os monumentos históricos e combater os roubos de imagens e objetos de arte.

No país europeu, o projeto foi premiado recentemente e acabou sendo importado pelo Brasil por meio de uma parceria entre o Ministério Público Estadual, Iphan, arquidiocese e municípios. O objetivo é devolver as igrejas restauradas ao público em um prazo de dois anos.

De acordo com o coordenador da Promotoria de Justiça de Defesa do Patrimônio Histórico, Cultural e Turístico de Minas Gerais, Marcos Paulo de Souza Miranda, o país lusitano encara os mesmos problemas de roubos de peças e a falta de conservação das igrejas. “Fizemos um congresso em Ouro Preto e tivemos a presença da coordenadora portuguesa Leonor de Sá, que trouxe a experiência do que fazem lá. Isso foi fundamental para darmos a partida”, disse o promotor.

Os diagnósticos sobre cada uma das quatro igrejas estão em processo de finalização. O custo de todas as obras ainda não foi fechado em virtude da conclusão dos laudos de vistoria. “Através de parcerias, lei de incentivo à cultura e do próprio Estado, vamos colocar isso em prática. É um projeto que precisa de uma análise detalhada para resolvermos o problema”, contou.

Fonte: jornal O Tempo


Publicado em: 05/09/2009

sexta-feira, 29 de maio de 2009

Turismo e Patrimônio: amigos ou inimigos?


O texto abaixo foi escrito por Julio Moraes conservador-restaurador, prof. do curso de graduação em Conservação e Restauro da PUC/SP, para ser apresentado no evento realizado em Santos no Dia Internacional dos Museus , sobre o tema Patrimônio e Turismo.


TURISMO E PATRIMÔNIO: AMIGOS OU INIMIGOS?

Longe de pretender analisar a fundo questão tão ampla e complicada como é a relação entre o turismo e o patrimônio cultural, limito-me a apenas a expor algumas observações e a examinar alguns exemplos, esperando que sugiram alguns caminhos de reflexão sobre o paradoxo desta suposta democratização do acesso aos bens culturais, que os promove e os destrói na sua essência.
Todas as estatísticas especializadas indicam que a indústria do
turismo é a atividade econômica que mais cresce no mundo. Na era da globalização e da mobilidade, a cada ano vários milhões de pessoas conhecem ou revêem outros lugares do mundo, circulando cada vez com mais facilidade. Muitos países beneficiam-se deste trânsito fácil, criam-se milhares de empregos, lugares decaídos reerguem-se graças à presença dos turistas.

Não há que negar: também o patrimônio cultural se beneficia do turismo. Centros históricos e monumentos são conservados e restaurados, fundam-se novos museus e remodelam-se os antigos; livros e DVDs são editados para a sua difusão, e até o patrimônio imaterial é revalorizado, para apresentar ao turista festejos, rituais, artes tradicionais e, é claro, as melhores tradições gastronômicas de cada lugar. Democratiza-se a cultura por meio do chamado turismo cultural, que tanto pode levar o turista a lugares como a Capela Sistina, referência mundial de erudição e arte, como a Maranello, onde se fabricam os automóveis Ferrari, famosos pelo seu design e performance.

Mas, se por um lado podem-se ver claramente muitos benefícios trazidos pela maior atenção aos bens culturais, que passam a ter lucros diretos trazidos pelos turistas e a ser fonte de renda que garante a sobrevivência de milhares de pessoas, por outro o patrimônio cultural de cada lugar e país é diretamente afetado, de múltiplas formas, pelo contato com um número cada vez maior de pessoas vindas de outros lugares, com diferentes interesses e expectativas. Observam-se ai alguns pontos de incompatibilidade e até de conflito entre a promoção do turismo e a preservação do patrimônio cultural.

O primeiro descompasso entre crescimento do turismo e preservação do patrimônio cultural é mais visível quanto mais importante for um centro de cultura e arte: enquanto os meios de transporte de longa distância e a indústria do turismo rapidamente se tornam mais e mais eficientes, e o afluxo de turistas aumenta rapidamente, o patrimônio não tem como aumentar à mesma razão o seu tamanho e a sua capacidade de absorção deste público (embora teoricamente o patrimônio deva aumentar, mediante a preservação do já existente e a incorporação de novos produtos da atividade humana, aos quais dada sociedade ou comunidade atribua valor, mas este crescimento).

De fato, a habilitação dos sítios históricos e artísticos para suportar este número maior de frequentadores, além de ser limitada em velocidade e em capacidade pelas próprias características do lugar e do seu conteúdo, normalmente depende da ação estatal. Esta, por mais dedicada que seja, nunca dispõe dos recursos nem da agilidade do empreendimento da chamada indústria do turismo. O resultado é o acelerado desgaste físico destes mesmos bens, expostos ao contato com mais pessoas do que podem suportar, e a atitudes e comportamentos agressivos, mesmo que involutariamente.

O segundo ponto de conflito não é quantitativo, mas qualitativo, e no meu entender ainda mais grave: para além da deterioração material provocada pelo interesse comercial com objetivos imediatos, ocorre também a grave alteração dos valores e conteúdos intrínsecos adquiridos ou atribuídos pelo meio sócio-cultural em que aqueles bens culturais se originaram e vicejaram, reduzindo e até exterminando a função primordial de afirmação e reforço da identidade da sociedade que os produziu e/ou preserva. Assim, implanta-se uma irresistível deturpação e perda da identidade primitiva de cada local e cultura, trocada por uma nova identidade, de uma população que troca as suas atividades primitivas pelas novas atividades voltadas ao turismo.

São conseqüências mais que duvidosas quanto aos benefícios que o turismo pode proporcionar ao patrimônio, que fora erguido lentamente sobre as antigas atividades, acompanhando a evolução da cultura e identidade locais ou nacionais, e deve agora se adaptar a novos usos. Igrejas, bairros tradicionais e centros históricos inteiros se transformam em verdadeiros shopping centers e nunca mais serão os mesmos; e às vezes pouco a pouco, outras vezes com incrível rapidez tornam-se tristes simulacros, caricaturas do que foram um dia. Perdem a alma, trocada por uma identidade local construída, falsa, que reforça continuamente a destruição daquela mesma identidade.

Tal perda (ou mudança) brutal de identidade e a inegável perda de autenticidade devido ao turismo faz lembrar o famoso trecho de John Ruskin, que no século XIX clamava contra as restaurações excessivas e descaracterizadoras da época, que a seu ver destruíam a autenticidade do monumento histórico ou arquitetônico: “nem pelo público, nem por aqueles que são responsáveis pelos monumentos públicos, o verdadeiro sentido da palavra restauração é entendido. Significa a mais total destruição que um edifício pode sofrer: uma destruição após a qual nenhum remanescente pode ser reunido; uma destruição acompanhada de uma falsa descrição do objeto destruído.” Mais de um século depois, o que vemos é exatamente isso: uma falsa descrição do patrimônio, sendo apresentada ao turista.
Artesanato de veneza

Assim, o terceiro ponto de conflito diz respeito ao patrimônio cultural,
ao seu parceiro, o turismo, mas sobretudo diz respeito diretamente ao cliente de ambos, o turista, que é enganado, e ao invés de conhecer algo daquilo que supõe estar conhecendo, é miseravelmente lesado e compra gato por lebre. Não capta nem leva consigo nada do espírito nem da arte de Michelângelo quando sai da Capela Sistina, e nem da ciência do design quando sai de Maranello. Leva apenas aparências, sob a forma de fotografias apressadas, e falsificações da pior espécie sob a forma de souvenirs bisonhos feitos apenas para ele – vide os cacarecos de pedra-sabão vendidos às portas das maravilhosas igrejas de Ouro Preto, que não existiam antes dos turistas, e nunca fizeram parte da vida cotidiana, doméstica dos ouro-pretanos. Não aprende nada, apenas ganha um verniz de conhecimento, que logo se descasca porque aquele conhecimento foi incompleto e mal ensinado por bens culturais já desprovidos do poder que só é dado pela autenticidade e integridade.

Ampliando este fenômeno à escala mundial, tal como tem sido ampliado o próprio turismo, teremos à vista a destruição da diversidade cultural do mundo, em que os únicos conteúdos exóticos vistos com calma e realmente assimilados serão aqueles veiculados pela publicidade, nos shoppings e na televisão a cabo.

Concluímos dai que a suposta relação “de amizade” entre turismo e patrimônio corre os mesmos riscos de qualquer amizade: até amigos sinceros, com as melhores intenções, podem se prejudicar mutuamente.

Esta situação aparentemente catastrófica e insolúvel pode conduzir a nós, que nos interessamos e preocupamos com o patrimônio cultural, à proposta radical de separar turismo e patrimônio. Mas, evitemos o ímpeto de propor algo comparável à atitude exagerada de Ruskin, que propunha que simplesmente não se restaurasse mais nada e se deixasse o monumento morrer. Não vamos propor o fim puro e simples do turismo cultural (o que de resto não lograríamos jamais), até porque, usando uma expressão caipira, não adianta matar a vaca para acabar com o carrapato. Há que buscar soluções, lembrando que as restaurações que destruíam o patrimônio se adequaram, portanto pode-se ter esperança de que o turismo faça o mesmo. Quais as soluções? Não sei, mas talvez possamos começar conversando francamente com o turismo, como fazem os bons amigos.

Julio Moraes – conservador-restaurador de bens culturais

Santos, 23 de maio de 2009

domingo, 24 de maio de 2009

RESTAURO, ATÉ ONDE PODEMOS INTERVIR?



“É melhor prevenir, do que remediar”.

Este ditado, tão popular, aplica-se como uma luva no que se refere ao trabalho de restauro. Observa-se em documentos, entrevistas, notícias e artigos o quanto é polêmica a decisão de restaurar um patrimônio cultural; seja ele uma pintura, uma escultura, um monumento ou um edifício histórico. Este problema se apresenta no dia-a-dia do restaurador, que tem que decidir, juntamente com as partes envolvidas (cliente, Órgão Público responsável, comunidade e outros), que caminho seguir, para que o restauro não seja confundido com uma reforma.

Esta tomada de decisão, embora dependa da experiência do profissional, tem um embasamento teórico e muitas vezes consolidado na prática, permitindo a utilização de uma referência segura para a operacionalização do restauro. Esse embasamento teórico está, muitas vezes, lastreado no estudo de acervos documentais existentes nos países que já se dedicam ao restauro e conservação do seu patrimônio histórico e cultural, a exemplo da Itália, onde há uma convivência cotidiana da população com obras de arte.

Os limites da intervenção são, na maioria das situações, muito tênues sendo necessária uma interatividade bastante cuidadosa para que o resultado do trabalho seja coerente com as expectativas e com a ética que o envolve.

Nesse sentido, o objetivo deste artigo é apresentar alguns conceitos que norteiam o trabalho do restaurador e os limites de sua intervenção sobre as obras a serem restauradas.

Sabe-se que um patrimônio cultural existe e é reconhecido pelo seu valor histórico, e é essa historicidade que deve ser repassada para as gerações futuras. Dessa forma, o trabalho de conservação e manutenção é fundamental para que o restauro seja o último recurso para salvaguardar esse patrimônio. Quanto mais um povo for educado e conscientizado sobre o valor de uma obra, mais tempo ela terá de sobrevida.

As entidades públicas e privadas, responsáveis por esses bens, vêm progredindo nesse entendimento ao longo da história, estabelecendo seus próprios procedimentos técnicos, através de normas e meios de controle, a serem seguidos pelos profissionais envolvidos.

Inicialmente, há que se reconhecer que cada caso é sempre um caso particular e assim deve ser tratado. Os métodos podem estar descritos minuciosamente, desde os mais simples, como por exemplo uma limpeza, até os mais sofisticados, onde o resgate a ser feito depende de intervenções maiores, como preenchimento de partes faltantes ou até mesmo reestruturação de todo um conjunto arquitetônico de valor patrimonial, incluindo seu entorno.

A ética que envolve este trabalho é bastante clara: o resultado de um bom restauro deve devolver à obra seu estado original, ou o mais próximo disso possível, o que faz com que as intervenções devam ser praticamente imperceptíveis. O restaurador não deve se apoderar da obra, recriá-la ou modificá-la ao seu gosto ou a um estilo. Ao contrário, esse profissional deve pesquisar profundamente sua história, seu contexto, materiais, documentando todas as informações para assim justificar um limite de intervenção. Um restauro jamais deverá chegar à matéria-prima da qual a obra é constituída, por exemplo: numa pintura, a prospecção deverá reconhecer todas as camadas da qual foi composta, através de RX, infra-vermelho e outras tecnologias disponíveis, para que sua reconstituição, quando necessária, possa ser efetuada com os materiais, os mais similares possíveis e, ainda assim, reversíveis, para que no futuro, outras intervenções de restauro possam se viabilizar.

Por outro lado, tendo em vista que cada caso é um caso, pode ocorrer de a restauração restabelecer o estado de origem da obra, como ocorreu no famoso caso do auto-retrato de juventude, datado de 1634, pintado por Rembrandt, que foi vendido pela Sotheby por 12 milhões de euros em 2003. Nesse caso, o proprietário do quadro, antes da venda, optou por restaurá-lo de modo que se chegasse às suas características de origem. E, por trás do retrato de um homem de rosto aristocrático, chapéu de veludo vermelho, longos bigodes e cabelos, estava o rosto do próprio artista, de cabelos encaracolados, usando uma boina. Os adereços que tinham sido colocados por um aluno de Rembrandt para tornar a obra ao gosto do século XVIII foram retirados e a obra retornou seu estado original. Nessa restauração, não se afetou a autenticidade da obra, pois se restaurou seu estado original através de um cuidadoso processo de recuperação da figura que realmente fora pintada, ao contrário de um restauro em que se busca, através de uma pintura nova, o avivamento de partes já desgastadas.
E, dentro do contexto em que o restauro se dá, também há a necessidade de se atentar para o conflito que surge entre os interesses comerciais e os dos museus, pois, para os primeiros, o restauro deve ser feito para valorizar o objeto, enquanto que para os segundos, o restauro deve se preocupar com a historicidade da obra, atuando com a observância da estabilidade, da visibilidade e reversibilidade.

Vale ressaltar outro exemplo, bastante ilustrativo em relação a essa fronteira perigosa de até onde chegar com este trabalho; que é o caso dos sítios arqueológicos, que, quando descobertos , dependendo do seu estado de conservação, só deverão ser cuidadosamente documentados e re-enterrados para que não se transformem numa falsa ruína, provavelmente sustentada por materiais totalmente adversos àqueles dos quais se originaram.
Os exemplos são muitos e eles servem sim, para nortear esses trabalhos.
Uma das Cartas de Restauro da Itália (Ministério de Instrução Publica – 1972) afirma: “uma interferência deve parar onde começa a hipótese”, o que pode ser interpretado de várias formas, pois cada um poderá delimitar certeza-hipótese de forma relativa a si próprio ou ao seu contexto, e a questão essencial estará lá, com todo o peso da tomada de decisão e suas conseqüências: “até onde é válido intervir”?

Autores:
Maria Isabel Lima Craveiro
Fernando Silva dos Santos

PUC/SP- Conservação e Restauro Nov 2008



segunda-feira, 6 de abril de 2009

MP e Iphan alertam sobre obrigatoriedade do cadastro de antiguidades


Comerciantes de antiguidades, obras de arte, manuscritos e livros antigos ou raros têm de se cadastrar junto ao Iphan, sob pena de responsabilização administrativa e judicial


A obrigação existe desde 2007, mas muita gente ainda não sabe como fazer. Por isso, o Ministério Público Federal (MPF) em Pernambuco e o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) realizaram uma reunião, no dia 24 de março, para tratar da obrigatoriedade do cadastro – a ser feito junto ao Iphan – dos negociantes de antiguidades, obras de arte, manuscritos e livros antigos ou raros. Foram convocados a participar todos os comerciantes que realizam essa atividade no estado.

Na ocasião, a museóloga Til Pestana, da sub-gerência de Bens Móveis e Integrados do Iphan, proferiu uma palestra informativa sobre os bens móveis e integrados que devem ser objeto do cadastramento. Técnicos do Iphan em Pernambuco explicaram a forma de preenchimento das fichas do cadastro.

Cadastramento
No ato de cadastramento, o comerciante deverá apresentar ao Iphan a relação descritiva dos objetos disponíveis para comercialização, em estoque ou reserva. Após a realização da reunião, os negociantes terão de se inscrever no Cadastro Especial de Negociantes de Obras de Arte, Antiguidades, Livros Antigos ou Raros e Manuscritos. Aqueles que não se cadastrarem, poderão ser responsabilizados administrativa, cível e criminalmente.

De acordo com a Instrução Normativa do Iphan nº 1, de 11 de junho de 2007, estão obrigados a fazer o cadastro as pessoas jurídicas ou físicas que exerçam suas atividades por venda direta, em consignação, leilão, agenciamento, comércio eletrônico ou por qualquer outra forma de contratação

Conforme o disposto no Decreto-lei nº 25, de 30 de novembro de 1937, o Iphan poderá inspecionar os bens históricos e artísticos de que trata a Instrução Normativa nº 1, bem como solicitar quaisquer informações sobre eles, independentemente do local em que se encontrem, sempre que julgar conveniente e oportuno.



Publicado em: 06/04/2009

segunda-feira, 16 de fevereiro de 2009

VII Semana dos Museus- USP

27 a 30 de abril de 2009- No Anfiteatro Camargo Guarnieri

A Semana dos Museus da Universidade de São Paulo é uma iniciativa da Pró-Reitoria de Cultura e Extensão, juntamente com o Centro de Preservação Cultural e os museus estatutários da USP - o Museu de Arqueologia e Etnologia (MAE), o Museu de Arte Contemporânea (MAC), o Museu Paulista (MP) e o Museu de Zoologia (MZ). Trata-se de um evento bienal de cunho científico-cultural, cuja primeira edição ocorreu em maio de 1997, coordenada pela então Comissão de Patrimônio Cultural da Pró-Reitoria de Cultura e Extensão, que, em 2004, transformou-se no atual Centro de Preservação Cultural (CPC-USP).

O tema proposto para VII Semana de Museus da USP - “O museu na cidade e a cidade no museu”- está ligado à tendência, perceptível desde a década de 1990, de um expressivo adensamento da criação ou reformulação de museus em cidades de todo o mundo. Tornados ícones de intervenção urbana, vários deles foram considerados responsáveis pela reorientação funcional de áreas esvaziadas economicamente ou em degradação física.

O tema traz reflexões sobre outras estratégias de intervenção que levaram à própria musealização de espaços urbanos, apontando ou não para sua mercantilização, processo muitas vezes estreitamente ligado à rigidez da compreensão institucional de seus indicadores patrimoniais e à exclusão de habitantes.

Tal abordagem dialoga com as especificidades de seu órgão promotor, o CPC-USP – que, não sendo um museu, tem como uma de suas metas fomentar o debate amplo e qualificado sobre a preservação do patrimônio cultural, além da preservação dos bens culturais da USP – a grande maioria dos quais localizada em áreas diversas da cidade de São Paulo.

Mais informaçoes acesse http://www.usp.br/prc/viisemana

sexta-feira, 6 de fevereiro de 2009

Restauradora brasileira do Louvre repara tela de Poussin






Por Camila Molina, de O Estado de S. Paulo - Agência Estado

Regina Costa Pinto Moreira recupera cores originais de "Hymenaeus Travestido Durante Um Sacrifício a Príapo", de pintor francês do século XVII, que faz parte do acervo do Masp

É como se um grande véu ocre, de passadas de vernizes e repinturas sucessivas feitas ao longo dos tempos, encobrisse a luminosidade das cores naturais que o pintor francês Nicolas Poussin (1594-1665) usou, no século XVII, para fazer um de seus maiores quadros, "Hymenaeus Travestido Durante Um Sacrifício a Príapo".

A grande tela, com 3,73 m de comprimento por 1,66 m de altura, uma das obras-primas do Museu de Arte de São Paulo (Masp), ficava, até então, aquém de sua verdadeira natureza aos olhos de quem a visse na parede do fundo do segundo andar do museu, onde são exibidos os destaques de sua coleção. Mas até o fim de agosto, essa obra de Poussin recuperará suas verdadeiras cores e esplendor, graças ao cuidadoso processo de restauro pelo qual já vem passando desde 19 de janeiro.

Como parte das atividades do Ano da França no Brasil, a restauração, orçada em 150 mil euros, está sendo feita por uma brasileira ilustre, que veio especialmente de Paris para tanto. Ela é Regina Costa Pinto Moreira, restauradora de renome e de vasta experiência, ligada há mais de três décadas ao Museu do Louvre.

Desde que "Hymenaeus Travestido Durante Um Sacrifício a Príapo" (aproximadamente 1634-1638) foi comprado por 25 milhões de cruzeiros pelo Masp, em 1958, da Galeria Wildenstein de Nova York, não havia sido restaurado. A obra, proveniente do acervo de Cassiano dal Pozzo, passou por várias coleções, entre elas, a do rei espanhol Filipe IV e dos Palácios Borghese (Roma) e do Bom Retiro (Espanha), nas quais sofreu várias repinturas. Até mesmo o historiador francês Jacques Thuillier, especialista em Poussin, quando esteve no Masp há mais de 20 anos para ver a tela, fez um apelo para que fosse restaurada. "Essa obra está extremamente repintada, ele diz em sua monografia. Foram várias campanhas de restaurações que se sucederam", afirma Regina.

Baiana, nascida em Salvador, ela fez toda a sua formação na Europa. Em Madri, cursou belas artes e especialização no Instituto Central de Restauração de Obras de Arte e Arqueologia. Também estudou no Instituto Real do Patrimônio Artístico de Bruxelas até prestar concurso e entrar para o Museu do Louvre, em 1973, não como funcionária da instituição, mas "profissional liberal contratada", que também presta serviço a outra instituições. Desde então, vive na França e, pela primeira vez, vem realizar um restauro no Brasil (no Louvre, Regina restaurou da coleção do Masp a pintura "O Artista - Retrato de Marcellin Desboutin" (1875), de Manet). Ela conta que já passaram por suas mãos outros Poussins, telas de Rafael, Botticelli, Leonardo da Vinci, peças, sobretudo, do renascimento italiano. Regina tem até o fim de agosto para restaurar "Hymenaeus Travestido Durante Um Sacrifício a Príapo", ação patrocinada pela CNP Assurances (Caixa Nacional de Previdência) e Caixa Seguros.

Fonte: jornal O Estado de S. Paulo.


Publicado em: 05/02/2009

segunda-feira, 26 de janeiro de 2009

Associação Brasileira de Conservadores e Restauradores de Bens Culturais








TEMA CENTRAL
Preservação do Patrimônio Cultural:
Ética e Responsabilidade Social

A ABRACOR - Associação Brasileira de Conservadores e Restauradores de Bens Culturais há 27 anos vem atuando com o objetivo de congregar e apoiar o profissional conservador-restaurador na defesa de seus interesses comuns e promover o desenvolvimento da conservação e restauração de bens culturais.

Desde 1986 a ABRACOR promove encontros da categoria, facilitando o intercâmbio de experiências nacionais e internacionais e o debate de problemas. O próximo congresso, em abril de 2009, será realizado em Porto Alegre em parceria com a Associação de Conservadores e Restauradores de Bens Culturais do Rio Grande do Sul (ACOR-RS) e contará com o apoio da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS).

Mais informações : http://www.abracor.com.br/